
O Bloco Aparelhinho comemora 15 anos de carnaval de rua em Brasília, consolidando-se como um movimento de apropriação do espaço público e ressignificação da folia na capital federal. Nascido de um projeto simples, com um som eletrônico montado sobre um carrinho alegórico, o bloco se inspira nas tradicionais aparelhagens do Pará para levar música e alegria às ruas da cidade.
“É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas; é vontade mesmo de ver o carnaval de rua acontecendo aqui”, declarou o DJ Rafael Ops, um dos fundadores do bloco, em entrevista à Rádio Nacional FM de Brasília. Ele ressalta a evolução do projeto, que começou com um carrinho simples, construído na oficina de marcenaria da UnB, e hoje conta com uma estrutura mais tecnológica e visualmente impactante, nas cores azul e laranja.
Ao longo dos anos, o Aparelhinho já desfilou em diversas configurações: carrinho de madeira, de ferro, online durante a pandemia, charrete, trio e até carreta. Atualmente, conta com o apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e cerca de 100 pessoas envolvidas na organização.
A publicitária Bruna Daibert, frequentadora do bloco desde a primeira edição em 2012, destaca a importância do Aparelhinho em sua vida. “É o bloco em que encontro meus amigos, que a gente está em casa, que trago minha filha, que eu faço questão de vir”, afirma. Ela defende a ocupação democrática do espaço público durante o carnaval, mesmo diante de debates sobre a concentração de blocos em locais fixos.
O repertório musical do bloco é uma fusão de sons eletrônicos com remixes de ritmos brasileiros, como frevos, axés, sambas-enredos, brega funk, piseiro, e até rock and roll. DJs como Pezão, Rafael Ops, Rodrigo Barata, Biba, Mica, Pororoca DJs, Emidio e Leroy são responsáveis por animar os foliões.
Apesar do clima festivo, alguns desafios de acessibilidade foram apontados por foliões. A dentista Fabiana Montandon, que acompanha o bloco há 10 anos e participou mesmo com a perna imobilizada, ressaltou a presença de buracos na pista, falta de rampas e banheiros não totalmente acessíveis no Setor Bancário Sul. “Eles anunciaram que era espaço acessível e eu vim por isso. Mas a gente só se dá conta quando está nessa situação”, comentou.
Com informações da Agência Brasil






