
O Bloco do Amor, que completa 11 anos de existência em 2024, realizou mais uma edição de carnaval com foco em respeito, diversidade e afeto coletivo no centro de Brasília. Reunindo um público estimado em quase 70 mil pessoas no ano anterior, o bloco ocupou novamente os arredores da Biblioteca e do Museu Nacional neste sábado de carnaval, espalhando cor e glitter em uma celebração que mistura nostalgia e folia.
Fundado em 2015, o Bloco do Amor nasceu com o propósito de transformar o centro da capital em um espaço de manifestos político-poéticos. A edição de 2026 trouxe o lema “Sonhar como Ato de Existência”, propondo que o sonho e a alegria sejam ferramentas de resistência e transformação social. O bloco se destaca por ser um território livre de preconceitos, especialmente acolhedor para a comunidade LGBTQIAPN+, onde a folia acontece de forma respeitosa.
A diversidade de ritmos é um dos pilares do evento, que transita do axé retrô ao eletrônico, passando pela música pop, MPB e forró. “A diversidade está presente, inclusive, na variedade de ritmos que empurram os foliões”, explicou à Agência Brasil a coordenadora geral do Bloco do Amor, Letícia Helena.
Letícia Helena, produtora cultural e cantora, ressalta que o bloco surgiu da “necessidade de discutirmos o amor nesta cidade; o que queremos e o que somos, de forma a trazer mais representatividade para os espaços”. A primeira edição ocorreu na Via S2 do Plano Piloto, e o crescimento do público levou à mudança para a área externa do Museu Nacional. Ao longo de 11 anos, o bloco tem utilizado a comunicação para promover mensagens de aceitação e bom convívio na diversidade. Um marco celebrado pela organização é a redução drástica de casos de assédio: “em 2024 conseguimos fazer uma festa que, segundo a Secretaria de Segurança Pública, zerou a quantidade de registros de violência e assédio contra mulheres”, comemora Helena.
Amor e segurança no carnaval
O público presente no Bloco do Amor reforça o sentimento de segurança e pertencimento. Fernando Franq, 34, e Ana Flávia Garcia, 53, descrevem o bloco como um “ambiente com o qual nos identificamos, de muita arte e com muitos artistas. Um lugar seguro para a comunidade LGBT, organizado por amigos que também estão em nossos corações”. Ana Flávia acrescenta que o bloco é “seguro e sem preconceitos. É um ambiente reverberado por pessoas apropriadas do próprio corpo. Aqui, todos são aceitos”.
Jovens como Clarisse Pontes, 22, que participa pela primeira vez de um bloco de carnaval, buscam no Bloco do Amor “muita paz e curtição”, em um espaço associado à aceitação e respeito à diversidade. Alasca Ricarte, 23, estudante de design, vê o carnaval como uma oportunidade para as pessoas se mostrarem de forma mais verdadeira e livre, destacando a importância da resistência para garantir os avanços na aceitação das diferenças, mesmo em um contexto de embates ideológicos.
A estudante Ana Luíza, 25, escolheu o Bloco do Amor em busca de um carnaval onde “homens e mulheres se respeitam”. Ela ressalta a importância da segurança e do ambiente de aceitação, onde o lema é o amor e o convívio. Ricardo Maurício, 41, acompanhado da esposa e da filha de 7 anos, destaca a importância de conversar sobre diversidade com a família, promovendo a compreensão da “riqueza das diferenças” em um mundo cada vez mais plural.
Com informações da Agência Brasil





