
Uma pesquisa recente aponta que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala de trabalho 6×1, que prevê seis dias de trabalho e apenas um de descanso semanal. No entanto, a aprovação da medida está diretamente ligada à manutenção dos salários.
Entre os 22% que se declararam contrários ao fim da escala, metade (10%) afirmou que mudaria de opinião se não houvesse redução salarial. Isso demonstra que a preocupação com o bolso é um fator determinante na percepção da proposta.
Quando a possibilidade de diminuição salarial é apresentada, o apoio ao fim da escala 6×1 cai drasticamente para 28%. Outros 40% só concordam com a mudança se o salário for mantido. Uma pequena parcela (5%) ainda está indecisa sobre a questão salarial.
A importância das folgas
Marcelo Tokarski, que avalia a pesquisa, destaca que a grande discussão no Congresso gira em torno da redução da jornada com ou sem diminuição da remuneração. Ele ressalta que a maioria dos trabalhadores anseia por mais dias de folga. “Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, afirma.
A pesquisa também indica que 84% dos brasileiros acreditam que o trabalhador deveria ter duas folgas obrigatórias por semana. “É quase um viés de desejo. Quem não quer ter folga a mais? Todo mundo quer. Agora, quando a gente coloca que você vai trabalhar um dia menos, mas vai ganhar menos, o cara não quer porque tem conta para pagar”, explica Tokarski.
Apoio político e tramitação da PEC
O projeto de lei para acabar com a escala 6×1 tem maior aprovação entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a pesquisa, 71% dos que votaram em Lula no segundo turno apoiam a medida, enquanto 53% dos que votaram em Jair Bolsonaro também são favoráveis.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015, que trata do assunto, já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aguarda votações no plenário da Casa e na Câmara dos Deputados. Se aprovada, a transição para um novo modelo de jornada será gradual, com a redução do teto de horas semanais ao longo dos anos, podendo chegar a 36 horas por semana a partir de 2031.
Uma parcela significativa dos entrevistados (52%) acredita que a PEC será aprovada pelo Congresso Nacional.
Com informações da Agência Brasil







