
A Anistia Internacional criticou veementemente o julgamento que absolveu policiais militares envolvidos na morte do adolescente Thiago Menezes, de 13 anos, em 2019, na Cidade de Deus, Rio de Janeiro. Segundo a ONG, o processo transformou a vítima em réu, retratando uma realidade de violência policial desproporcional contra jovens negros no Brasil.
Morte de Thiago e contexto de violência
Thiago Menezes foi atingido por disparos de fuzil enquanto estava na garupa de uma moto. Segundo testemunhas e depoimentos, ele e o piloto, Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, não estavam armados e não tinham relação com o tráfico. Os policiais, que estavam em um carro descaracterizado, teriam saído do veículo atirando. Thiago, que sonhava em ser jogador de futebol e tinha bom desempenho escolar, foi atingido pelas costas.
Críticas ao julgamento e defesa dos direitos humanos
A Anistia Internacional classificou a situação como um retrato de políticas de segurança pública marcadas por “práticas violentas e racistas”. A organização defende a interrupção da militarização e da narrativa de “guerra às drogas”, além da responsabilização de agentes do Estado envolvidos em operações letais.
Defensores de direitos humanos e a família de Thiago também se pronunciaram contra a decisão. A tia do adolescente, Ana Cláudia Oliveira, lamentou a absolvição e apontou racismo no judiciário, afirmando que “a Justiça não é feita para a gente”. Ela ressaltou que o julgamento focou em Thiago, que foi “julgado e executado lá, e aqui, novamente, ele foi julgado e condenado”.
O advogado Guilherme Pimental Braga, da Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado (Raave), avaliou que o julgamento foi marcado por difamação e criminalização de jovens de favela para justificar o crime. Ele acusou o uso de “fake news e fotos em narrativas que não condizem com os fatos” para “queimar” a vítima.
A ativista Mônica Cunha, do Movimento Moleque, questionou o júri e alertou para o histórico de policiais absolvidos em casos de mortes de jovens. Ela citou o caso da menina Ágatha Félix, de 8 anos, morta por um policial militar em 2019, cujo acusado também foi absolvido pelo Tribunal do Júri.
Julgamento e processo
O julgamento, que durou dois dias, foi marcado por debates acalorados. Os policiais admitiram ter disparado contra os jovens, mas alegaram que revidaram a tiros. Eles também respondem a outro processo por fraude processual.
Com informações da Agência Brasil







