domingo, 22 de março de 2026
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Contador é preso por ordem de Moraes por quebra de sigilo fiscal de parentes de autoridades

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão de um contador suspeito de ter participado de uma operação para conseguir dados fiscais sigilosos de parentes de ministros da Corte, além de deputados, senadores, empresários e outras autoridades.

A informação foi publicada primeiramente pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pelo Estadão. Segundo a assessoria do STF, a prisão foi decretada por Moraes no dia 13 de março, após pedido feito pela Polícia Federal. A Procuradoria Geral de República (PGR) também se manifestou favoravelmente ao pedido de prisão.

De acordo com o ministro, o contador Washington Travassos de Azevedo foi apontado como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos” de 1.819 contribuintes entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, incluindo parentes de diversas autoridades – como a esposa de Moraes (leia mais abaixo).

“A prisão preventiva de Washington Travassos de Azevedo foi decretada em 13 de março de 2026, a pedido da Polícia Federal, uma vez que o investigado foi apontado, dentro da organização criminosa, como um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional que, de 8.1.2024 a 27.1.2026, conforme apontou a Procuradoria Geral da República em manifestação pela decretação de prisão, teria acessado dados constantes das DIRPF de 1.819 contribuintes, entre os quais pessoas vinculadas a Ministros do STF, Ministros do TCU, deputados federais, ex-senadores da República, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública”, inclusive com a realização de download de declarações”.

Segundo o ministro, a prisão ocorreu no dia 14 de março. “Washington Travassos de Azevedo foi preso no dia 14 de março de 2026 e a audiência de custódia foi regularmente realizada no mesmo dia”, diz.

De acordo com a Folha de S. Paulo, o contador teria admitido a obtenção de dados de forma irregular e seria intermediário entre uma pessoa com interesse nos dados de parentes do ministro e uma outra, que teria oferecido o serviço irregular para obtê-los.

Um dos papéis obtidos ilegalmente seriam dados fiscais da advogada Viviane de Moraes, mulher do ministro. Ela é um dos centros da crise no STF após a divulgação de informações sobre seu contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro – atualmente preso por fraude financeira e negociando uma delação premiada.

O valor da contratação foi considerado incompatível com os valores de mercado por 13 especialistas consultados pelo Estadão, que atuam em alguns dos maiores escritórios do País.

Em fevereiro, por determinação do STF, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, no âmbito de investigação que apura vazamentos de dados de ministros da Corte e de seus familiares. A Receita já havia detectado a quebra de sigilo fiscal da esposa de Moraes.

Alexandre Wunderlich, doutor em Ciências Criminais pela PUC-RS e fundador do escritório Alexandre Wunderlich Advogados, afirma que “aparentemente a prisão está tecnicamente justificada”.

“O sigilo fiscal é protegido por lei e sua violação de forma clandestina é evidentemente um crime. O que se tem é uma estrutura organizada para esse tipo de prática, e a prisão preventiva, sem denúncia formalizada, depende de elementos como a garantia da ordem pública e da instrução criminal futura. O caso passou pelo crivo da Polícia e da PGR, em razão do foro privilegiado, o decrevo veio do STF”, diz.