sábado, 27 de junho de 2026
Início BRASIL PF diz que Flávio Bolsonaro cometeu crime de calúnia contra Lula em...

PF diz que Flávio Bolsonaro cometeu crime de calúnia contra Lula em post sobre Maduro

Brasil – A Polícia Federal (PF) concluiu nesta sexta-feira, 26, que o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) investiga o parlamentar por post atribuindo ao petista os crimes de tráfico drogas e lavagem de dinheiro.

Em 3 de janeiro de 2026, data da prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, Flávio publicou em seu perfil no X foto do ex-presidente venezuelano e o print de uma manchete do site Metrópoles: “Governo Lula convoca reunião de emergência após Trump capturar Maduro”. Na publicação, o senador escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”

“Fica claro que o Senador afirma que a delação seria feita por Nicolas Maduro, e que, no entendimento do Senador, os crimes pelos quais o Presidente Lula seria delatado estão listados na sequência da postagem”, afirma o relatório assinado por Antonio Carlos Knoll de Carvalho.

O inquérito foi instaurado em abril pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O processo teve origem em ofício da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) ao Ministério da Justiça, que por sua vez requisitou à PF a abertura das investigações.

Ao longo da investigação, a defesa de Flávio Bolsonaro apresentou uma série de requerimentos pedindo a oitiva de testemunhas. Os nomes solicitados incluíam a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, o procurador-geral dos Estados Unidos Walter Joseph Clayton, o senador Sérgio Moro, o ex-procurador Deltan Dallagnol, e o próprio presidente Lula.

A defesa queria que Flávio fosse ouvido apenas depois que todos as oitivas fossem realizadas. Os pedidos foram indeferidos pelo delegado em maio, com o argumento de que as diligências seriam “absolutamente inócuas” para o resultado do inquérito e teriam “caráter meramente protelatório”. Ou seja, tinham o objetivo de atrasar o processo.

A defesa recorreu ao STF, mas o ministro Alexandre de Moraes também negou os requerimentos, em 15 de junho.

No relatório, o delegado critica petição apresentada pela defesa, em 24 de junho. Segundo ele, a defesa extraiu trecho da decisão de Moraes fora de contexto para sustentar que o ministro havia se declarado incompetente para deferir as diligências. Mais uma vez, o delegado afirmou que o documento tinha o objetivo de “protelar o andamento da apuração”.

Ao encerrar o relatório, o delegado concluiu que ficou “claro o cometimento” do crime de calúnia pelo senador.