segunda-feira, 14 de setembro de 2026
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CRISE NA ÂMBAR: terceirizados paralisam atividades e denunciam salários baixos em Manaus

Manaus – Uma nova crise envolvendo trabalhadores terceirizados da Âmbar Energia explodiu nesta segunda-feira (14), em Manaus. Eletricistas da Norte Tech Serviços em Energia, empresa que presta serviços para a concessionária, cruzaram os braços e se concentraram desde as 8h na sede da empresa, no bairro Tarumã, Zona Oeste da capital, em uma mobilização que expõe a insatisfação da categoria com salários, benefícios e condições de trabalho.

O movimento reúne trabalhadores de diferentes bases, incluindo Tarumã, Ponta Negra, São José, Flores e Cidade Nova. Segundo o sindicato e a comissão de trabalhadores, cerca de metade dos eletricistas que atuam para a concessionária no Amazonas aderiu à paralisação.

A principal reivindicação é o aumento do salário-base para R$ 2,5 mil. Atualmente, segundo relatos de trabalhadores, há profissionais recebendo cerca de R$ 2.079, enquanto a categoria aponta R$ 2.158 como valor previsto. Também são cobrados R$ 1,2 mil de auxílio-alimentação ou refeição, além da manutenção do benefício mesmo em afastamentos justificados por atestado médico.

A lista de reivindicações vai além do salário. Os trabalhadores querem que a empresa arque integralmente com o plano de saúde dos funcionários e dependentes, aumento do adicional para condutores de R$ 100 para R$ 500, pagamento integral do auxílio-combustível e criação de auxílio-creche de R$ 300 por filho para mães colaboradoras. Também há cobrança de valores retroativos referentes a 2025.

Segundo o presidente do Sindicato dos Eletricistas, Fank Márcio Soares, a categoria considera os salários defasados e também reclama da jornada. Há relatos de trabalhadores que sairiam para trabalhar por volta das 7h e retornariam somente às 22h, com questionamentos sobre o pagamento das horas acumuladas.

A paralisação ocorre pouco mais de um mês após outra mobilização de trabalhadores da Norte Tech, realizada em agosto. Na ocasião, funcionários denunciaram suposto assédio moral, pressão de superiores, constrangimentos, falta de materiais e problemas relacionados às condições de segurança durante os serviços. As acusações foram atribuídas aos trabalhadores e não foram confirmadas de forma independente.

O novo movimento, porém, ganhou também um capítulo judicial. Segundo a Norte Tech, uma liminar concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), no domingo (13), considerou a manifestação irregular por não ter sido convocada de acordo com os trâmites legais e estabeleceu multa para os envolvidos. A empresa também afirma que os responsáveis pela mobilização não representam o sindicato legítimo da categoria.

Em nota conjunta, a Norte Tech e a Âmbar Energia afirmaram que estão abertas ao diálogo e atentas às necessidades dos trabalhadores. As empresas destacaram ainda a existência de um Acordo Coletivo de Trabalho firmado em abril de 2026 com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado do Amazonas (Situam), apontado pelas companhias como representante legítimo da categoria.

Apesar da decisão judicial mencionada pela empresa, trabalhadores mantiveram a mobilização nesta segunda-feira e pressionam por uma nova rodada de negociação. O sindicato também afirma acompanhar o movimento para evitar possíveis casos de punição, perseguição ou transferência de funcionários por causa da participação no ato.