sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
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Dilma Rousseff toma posse como presidente do Banco dos Brics em Xangai, na China

MUNDO – A ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff tomou posse formalmente no comando do chamado Banco dos Brics nesta quinta-feira (13), em Xangai, cidade sede do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, da sigla em inglês). O mandato de Dilma vai até julho de 2025.

No evento que contou com a presença do presidente Lula (PT), Dilma discursou e disse reconhecer “o desafio de prover e garantir financiamento na escala adequada para atender as necessidades econômicas, sociais e ambientes dos nossos países”. Ela ressaltou que o NDB fica comprometido com as prioridades que o governos apresentam para o banco.

“Assumir a presidência do NBD é, sem dúvida, uma grande oportunidade de fazer mais para os países do Brics, mas não somente para os seus membros, mas também para os países emergentes e em desenvolvimento”, declarou.

Dilma ainda anunciou a entrada de Bangladesh, Emirados Árabes Unidos e Egito no bloco comercial.

Em seu discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a criação do NDB mostra que a união dos países emergentes tem grande potencial e é capaz de criar mudanças sociais e econômicas relevantes para o mundo. “Pela primeira vez um banco de desenvolvimento de alcance global é estabelecido sem a participação de países desenvolvidos em sua fase inicial. Livre, portanto, das amarras e condicionalidades impostas pelas instituições tradicionais às economias emergentes. E mais, com a possibilidade de financiamento de projetos em moeda local”.

Chegada de Dilma ao NDB

O Novo Banco de Desenvolvimento do Brics – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, foi criado em 2014. Na época, o tratado que constituiu o NDB foi assinado em Fortaleza, tendo a então presidente brasileira Dilma Roussef como anfitriã.

Uma das intenções era ampliar fontes de empréstimos e fazer um contraponto ao sistema financeiro e instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Atualmente, o banco é responsável pelo financiamento de projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável dos países que fazem parte da instituição, contando com uma carteira de investimentos na ordem de US$ 33 bilhões. Os financiamentos focam em projetos de infraestrutura e sustentabilidade. O Brasil ficou com US$ 621 milhões de 2015, quando começou a operar, até 2019. Desde então, a participação nos empréstimos saltou para US$ 5,4 bilhões.

Quase 10 anos depois, Dilma volta a ter destaque no Brics. O nome da ex-presidente petista foi aprovado pelo conselho do banco em 25 de março, após indicação de Lula em substituição a Marcos Troyjo, indicado pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes.

Segundo a regra de rotatividade do Banco dos Brics, um país membro indica um novo nome para comandar a instituição a cada período de cinco anos. A presidência deveria ficar com um indicado pelo Brasil até 2025.

No início de março deste ano, Marcos Troyjo renunciou ao cargo, dando espaço para Lula indicar um novo nome. A saída de Troyjo ocorreu de comum acordo com o governo. Nos bastidores, a justificativa foi uma divergência de visões sobre os objetivos do Brics e de posição política.

Após a indicação, o conselho de governadores do banco, formado pelos ministros da Fazenda dos países fundadores do NDB, mais os representantes dos quatro novos integrantes (Bangladesh, Emirados Árabes Unidos, Egito e Uruguai), se reuniram por videoconferência para votar a indicação. Não houve nenhuma outra candidatura.

A petista foi sabatinada pelas autoridades estrangeiras ao longo do mês de março, depois que o NDB comunicou o início da troca de comando.

No comunicado oficial sobre a eleição da ex-presidente, o banco ressalta suas competências econômicas, citando que “a economista Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil por dois mandatos” e, como presidente, “concentrou sua agenda em garantir a estabilidade econômica do país e a criação de empregos”.

O comunicado diz ainda que, durante seu governo, a luta contra a pobreza foi priorizada, e os programas sociais que começaram com Lula foram expandidos e reconhecidos internacionalmente. “Como resultado de um dos processos mais extensos de redução da pobreza na história do país, o Brasil foi removido do Mapa da Fome da ONU”, diz a nota.

*Com informações da CNN Brasil