quarta-feira, 15 de abril de 2026
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Polícia Federal diz que grupo de MC Ryan SP lavou dinheiro de tráfico de 3 toneladas de cocaína

A investigação da Polícia Federal aponta que o tráfico de cocaína era uma das principais fontes de recursos ilícitos utilizados no esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao cantor MC Ryan SP, preso na manhã desta quarta-feira (15) durante a Operação Narcofluxo.

Segundo a PF, o artista utilizava empresas ligadas à produção musical e a própria visibilidade nas redes sociais para misturar receitas legais com dinheiro proveniente de atividades ilegais, como apostas clandestinas, rifas digitais e tráfico de drogas. As apurações também indicam uma ligação estrutural do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de 77 investigados. De acordo com o juiz responsável pelo caso, o valor foi estimado com base no lucro obtido com o tráfico de mais de três toneladas de cocaína, além das movimentações financeiras identificadas nos relatórios de inteligência.

As informações sobre o envolvimento com o tráfico foram reunidas a partir de operações anteriores da PF, como a Narco Vela, em abril de 2025, e a Narco Bet, em janeiro de 2026.

A Polícia Federal aponta MC Ryan SP como líder do esquema. Após a lavagem, os valores eram reinseridos na economia formal por meio da compra de imóveis de alto padrão, veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor.

As investigações também indicam que o cantor teria pago operadores de mídia para divulgar conteúdos favoráveis e promover plataformas ligadas ao grupo, numa tentativa de conter desgastes de imagem. Além disso, há suspeita de que ele tenha transferido participações societárias para terceiros, incluindo familiares, com o objetivo de ocultar patrimônio.

A Operação Narcofluxo mobiliza mais de 200 policiais federais e cumpre dezenas de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em diversos estados. Durante a ação, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos.

Entre os presos estão, além de MC Ryan SP, os cantores MC Poze do Rodo e o influenciador Raphael Sousa Oliveira. Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Em nota, a defesa de MC Ryan afirmou que não teve acesso integral aos autos, mas declarou confiar na Justiça e sustenta que todas as movimentações financeiras do artista têm origem lícita e devidamente comprovada.