
O Cordão do Bola Preta, o bloco de Carnaval mais antigo em atividade no Brasil, celebrou seus 107 anos de tradição neste sábado (14), reunindo milhares de foliões nas ruas do centro do Rio de Janeiro. Com o tema “Bola Preta, DNA do Carnaval”, o desfile homenageou sua própria relevância histórica no cenário da folia carioca e brasileira.
O trajeto tradicional, que teve início na Rua Primeiro de Março e seguiu pela Avenida Presidente Antônio Carlos, foi embalado por marchinhas clássicas e o hino “Quem não chora, não mama”. Cariocas, turistas, famílias, idosos e crianças vestiram branco com bolinhas pretas, mantendo a identidade visual do bloco, em uma demonstração de pura alegria e devoção ao Carnaval de rua.
Foliões celebram a tradição e a energia do bloco
Entre a multidão, a recém-formada fisioterapeuta Luana Flor celebrou sua formatura no bloco. “Não tinha lugar melhor para eu curtir a minha formatura. Escolhi o Bola Preta, porque é um bloco tradicional. Ele traz a história do Rio e é sempre muito cheio, tem uma energia muito boa”, comentou.
A espera pela atriz Paolla Oliveira, rainha do bloco, era palpável. Eliane Silva, que acompanha o Bola Preta há 15 anos, carregava um cartaz pedindo uma foto com a estrela. “Acompanho o Bola Preta há 15 anos e, como acontece todo ano, estou aqui à espera da nossa grande rainha”, disse Eliane.
A Corte Real e a animação garantida
Pouco antes do início oficial da festa, a chegada de Paolla Oliveira ao cortejo foi anunciada por gritos eufóricos da multidão. “Muito feliz de estar mais um ano aqui com o Bola Preta, que tem essa energia maravilhosa. Existe algo melhor do que essa festa aqui?”, questionou a atriz, exaltando a força do povo que faz o bloco acontecer.
A tradicional Corte Real do bloco abrilhantou o desfile, contando com a presença de nomes como Leandra Leal (porta-estandarte), Neguinho da Beija-Flor (padrinho), Maria Rita (madrinha), Emanuelle Araújo (musa da banda), João Roberto Kelly (embaixador), Tia Surica da Portela (embaixadora) e Selminha Sorriso (musa das musas). Novas musas para 2026 também estrearam no cortejo.
A Banda do Cordão da Bola Preta, sob a regência do maestro Altamiro Gonçalves, foi responsável pela animação, garantindo o ritmo contagiante das marchinhas. Pelo terceiro ano consecutivo, o bloco manteve sua parceria com a Liga Amigos do Zé Pereira, o bloco Vagalume O Verde e o Parque Nacional da Tijuca/ICMBio para a medição e compensação de carbono das emissões dos geradores dos trios elétricos.
Um legado de 107 anos e um futuro promissor
Fundado em 1918, o Cordão do Bola Preta tem sua história entrelaçada à do Carnaval brasileiro, testemunhando guerras, mudanças políticas, períodos de censura e a pandemia de covid-19. O presidente do bloco, Pedro Ernesto, relembra a origem do nome, inspirado por uma mulher vista em um bar tradicional.
“A essência dos fundadores do Cordão do Bola Preta se mantém até hoje e é a razão de sermos sempre fortes, pujantes e termos superado muitas crises na trajetória de vida do bloco”, afirma Pedro Ernesto.
Reconhecimento e novos projetos
Em julho do ano passado, o Cordão do Bola Preta foi reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Recentemente, a Prefeitura do Rio anunciou que o bloco ganhará um centro cultural em sua sede na Lapa, com obras previstas para o primeiro semestre deste ano, visando a recuperação de um sobrado histórico e a modernização das instalações.
Com informações da Agência Brasil







